Resenha por Moacir C. Lopes, autor de A Ostra e O Vento by luispeaze [WorldCat.org]
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Alvídia, um horizonte a mais

by Luís Peazê

  Print book : Fiction

Resenha por Moacir C. Lopes, autor de A Ostra e O Vento   (2018-03-08)

Excellent

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by luispeaze

Alvídia, Um Horizonte aMais 
 
Resenha por Moacir C. Lopes, autor de A Ostra e O Vento
 
Surgiu em 2000 um escritor, Luís Peazê, com todo o potencial para ser considerado dentre os mais importantes que têm aparecido em nossaliteratura contemporânea, com o livro Alvídia, um Horizonte a Mais,misto de estilo aventuresco, por ter como suporte as aventuras e desventuras doautor/personagem, e sua esposa e companheira de todas as horas, a também personagem Helga, em luta pela sobrevivência em alguns países fora de sua terra,e em temerária aventura pelos mares da Austrália, entre ilhas e baías, e de romance, porque seus relatos incluem vivências de inúmeros personagens com quemo autor e sua companheira conviveram nesses anos, desde a saída do Rio Grande do Sul, sua terra natal, e passagem pelo Rio de Janeiro. 
 
Uma saga de viagem, com as minúcias do dia-a-dia, quando Luís Peazê foi convidado para montar uma fábrica nos Estados Unidos, outra na Austrália, mais uma na fronteira Estados Unidos/México, associa-se com estrangeiros,ganha e perde e ganha e quatro anos depois resolve, com Helga, construir um barco, batizado com o nome de Alvídia, sem conhecerem as técnicas de fabricação de veleiros, sem domínio das artes de navegação, sem intimidade com os segredos e traições do mar, para atender ao sonho de navegar, numa ânsia de liberdade. 
 
Ressalta nas páginas deste livro os personagens com quem Luís e Helga conviverão nesses quatro anos, desde os que os ajudam ou apenas os usam e atraiçoam, em montagens e manutenção de fábricas, indústria e comércio,haveres e deveres, aos que encontrarão, durante a construção do Alvídia e depois ao se aventurarem por mares, numa solidariedade entre as gentes do mar,aventureiros e libertários como o casal, 
 
Nessa galeria de personagens, encontramos um painel da humanidade, nos seus momentos limite de sobreviver ou morrer, física e psicologicamente, entre a coragem e o medo, mas primordialmente a coragem de despojar-se da sua passividade rotineira e sonhar em dominar os cabrestos do seu destino, ser um indivíduo além dos cordéis que os manietam. E sobressaem-se os que, ao se aventurarem ao mar, são possuídos de uma solidariedade comum aos aventureiros, numa admirável cadeia humana. 
 
Conquanto Luís Peazê, como personagem de si mesmo, domina a narrativa, as ações e os feitos dessas aventuras, nos mínimos detalhes, ressalta a personagem feminina Helga, com sua personalidade própria, mas amiga nos melhores e nos piores momentos, não 
apenas coadjuvante dessa aventura humana, mas parteintegrante da própria aventura de sonhar, viver e vencer. 
 
Vê-se, neste livro, que Luis Peazê acumulou tal vivência por terras e mares estranhos, e tamanha galeria de tipos desgarrados mundo afora, em busca de identidades perdidas ou por encontrar, mistos de Ulisses, Robinson Crusoé, Guliver, Marco Pólo ou até de um Gilliatt, personagem da ficção de Victor Hugo em Os Trabalhadores do Mar, que poderá ser aproveitada em livros futuros, com a dimensão dos grandes romancistas que, desde a estréia, já domina o arcabouço de um narrador de primeira linha, e que muito enriquecerá a literatura brasileira. [Setembro de 2000, Rio de Janeiro.]




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